Só faltava mais este… (conto de terror)

Só faltava mais este… (Conto de Terror)

Maria era uma mulher extrovertida onde a palavra “lar” tinha um significado apenas de passagem. Manuel era seu fiel marido, trabalhador de uma gasolineira a 5 quilómetros de casa.

Manuel fazia um ano que andava angustiado, amargurado com a vida e dependendo de comprimidos para manter a calma e aguentar as horas de trabalho fora dos seus típicos ataques de pânico já conhecidos por todos os que o conheciam.

Era final de mais um dia de trabalho e Manuel seguia em ritmo acelerado no seu peugeout cinza a caminho do trabalho de Maria para a ir buscar e a levar para casa. Doíam-lhe os braços e as pernas e ainda sentia aquela terrível dor de barriga de tanta ansiedade e de tanto stress pois o horário de Maria era colossalmente distante de ser um horário certo. Nos piores dias lembra-se de esperar por Maria 2 horas até que saísse e finalmente fazer-se a casa para o jantar.

Manuel ao chegar ao restaurante onde trabalhava Maria reparou no festim à porta e preparou-se para ouvir as típicas graças e piadas de mau gosto enquanto a esperava tomando um comprimido de haloperidol de 8mg e seguidamente um ansiolítico de SOS.

Era sexta-feira e apenas passados 50 minutos viu os agrupamentos de gente a dispersarem-se, encostou-se atrás no banco e começou a concentrar-se no silêncio, ouvindo algumas vozes dos empregados no interior do estabelecimento. Desta vez ouvia gargalhadas muito altas e reparou que o patrão de Maria estava bêbedo e fora de si, pegou no seu telemóvel e enviou uma mensagem de texto a Maria dizendo para se despachar pois estava se sentindo nervoso e estava com dificuldades em esperar mais tempo com tamanha e crescente ansiedade. Pouco depois ouviu Miguel o patrão de sua esposa dizer para Maria mostrar as mamas e em pânico decidiu sair do carro e abriu a porta de seu peugeout.Fora do carro e perto do portão de saída dos funcionários avista Maria saindo apressada e rindo-se segurando as pontas de seu colarinho todas esticadas e com os botões desabotoados.

Houve discussão dentro do carro até casa, Manuel não queria passar mais por aquele tipo de palhaçadas e ser o motivo de chacota lá do sítio, para além de estar farto daquela gente pelos cabelos.

Ao chegar a casa Maria disse que as discussões não poderiam continuar e se Manuel não conseguia aguentar que tomasse mais medicação e aumentasse seu número de consultas ao médico ou saísse pela porta fora e nunca mais voltasse, algo que Manuel disse que bastava apenas haver mais respeito por parte de Maria para que tudo corresse bem e fosse melhor e mais justo para ambos.

Os dias foram passando e no trabalho de Maria eram cada vez mais as gentes e as enchentes, consecutivamente maiores as esperas e mais os motivos de chacota de que Manuel se sentia alvo.

Anos se foram passando, muitas foram as discussões e muitos os internamentos, mas o restaurante era a atração turística, Maria era uma cozinheira bem vista e Manuel era já um pobre desempregado desgostoso com a vida e o motivo da chacota popular daquele sítio. Foi tão grande o sucesso daquele restaurante que a televisão local já tinha passado por ali, frequentes eram os acidentes à frente daquele lugar e as rixas entre bêbedos e populares. As putas já frequentavam o local e já se falava de traições como uma mulher fala das compras que tem que fazer ainda para o jantar. Manuel sentia-se o alvo a nú da zona onde tudo e todos sabiam mais de sua vida que ele próprio.

Manuel ficou 3 meses sem sair de casa, saindo apenas nas horas em que tinha de ir buscar ou levar Maria para o trabalho, nem tinha coragem nem forças para levar Maria às compras em seu único dia de folga semanal. Foram muitas as tentativas por parte de Manuel para segurar Maria e a mudar, mas Maria nunca sentiu ciúmes de Manuel, mesmo chegando às horas de aperto enquanto Manuel poderia estar se divertindo bebendo e convivendo com a mulherada desinibida lá do sitio, Maria apenas usava o pretexto de estar a sentir ciúmes de Manuel para desviar as atenções para o pobre Manuel e ser este o alvo de duras críticas por parte dos populares e dos clientes do restaurante.

Maria, apenas estava com Manuel para usufruir da sua sorte, ter emprego e dar clientes e sucesso ao patrão que já não prescindia da falta dos ciúmes de Manuel por nada daquele mundo. Manuel era um lucro fácil e garantido e o motivo de diversão dos populares, sendo uma boa razão para que continuassem os episódios de loucura exessiva, as bebedeiras de Maria e dos clientes e a frenética festa diária local. Era imperativo troçar nas costas de Manuel enquanto este vivia de dias de crescente amargura. Manuel tinha que desistir de Maria, reparou que para mudar a sua sorte, virando o jogo contra Maria seria inútil e impossível com tanta gente do lado de Maria enquanto Manuel estava completamente sozinho. Lutar contra isso estaria a ser como dar um tiro no próprio pé e o resultado num futuro onde o único final seria apenas um suicídio. Não adiantava fazer birra ou insistir por Maria pois sua sorte já estava decidida pelo vício de troça e o motivo da boa disposição dos populares pela sua desgraça.

Maria tinha chegado ao ponto de ser já a segunda semana consecutiva que saía de telemóvel desligado com seu colega de trabalho “Alfrêdo”. Chegava depois das horas de jantar com o risinho trocista de todos os que a conheciam magnizando e magnificando o azar crescente do futuro de Manuel que agora mais do que nunca era o motivo absoluto do “circo” da população local. A situação tinha chegado ao limite e Manuel não tinha ninguém a quem recorrer ou que o abraçasse e lhe prometesse ajuda, apoio ou melhor sorte.

Alguns dias negros depois, passavam duas horas da hora do jantar, chega Maria a casa deixada pelo seu colega de trabalho no seu dia de folga semanal. Mais uma vez Maria tinha deixado o telemóvel desligado durante todo o dia e Manuel decidiu por palavras pôr finalmente o termo à relação desrespeitosa que já vinha sendo arrastada desde o início e chegando a atingir e ultrapassar todos os limites inultrapassáveis para além do que era possível imaginar ser ultrapassado alguma vez por alguém.

Maria apenas responde que se está mal que se mude e que não compreendia porque Manuel ainda vivia na mesma casa que Maria.

Os meses passavam e ainda eram frequentes as bocas e piadas por parte de quem o conhecia e mesmo de quem o desconhecia. Sempre que tentava ter uma nova relação, alguém falava-lhe pelas costas sobre o que lhe haviam feito e era frequente Manuel ter a noção que nunca mais se iria livrar do azar que Maria teria dado horigem na sua vida.

Era um sábado de Agosto, Manuel estava à espera de sua nova namorada dentro do seu peugeout, sua namorada “Esperança” era empregada de balcão num restaurante de peixe que fazia um mês que vinha ganhando crescente sucesso. Manuel esperava-a fazia 50 minutos e o pessoal tinha dispersado há já 10 minutos quando ouviu o patrão dela propor bêbedo que esta lhe mostrasse as mamas.

Manuel apressado saiu, irrompeu pela porta encostada, afastou sua namorada dos braços de seu patrão esfaqueando-o rápidamente e o esventrou por completo enquanto o homem assistia quase inconsciente e estremeçendo frenéticamente e convulsivamente todos os músculos de seu corpo, removeu toda a tripa existente no interior de sua barriga e escuou toda a merda ali existente até à ultima gota por dentro de sua boca até que ficasse alojada para sempre no interior de seu estômago, retirou até o ânus onde deixou por sua vez um grande orifício por onde qualquer pessoa poderia olhar e ver o outro lado através de seu corpo sangrado e esventrado. Com parte da sua tripa, Manuel enrolou o seu pescoço e deixou o corpo do patrão de Esperança ali inérte, pendurado no átrio frontal do estabelecimento onde continuou a esfaquea-lo na zona onde outrora existiu uma barriga repetitivamente até que sua faca se partisse…

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