Ferreirinha a infiel malabarista (conto de terror, parte – I)

Justino era um jovem designer gráfico de 30 anos, que por facilidade em conseguir clientela e ter a confiança de todos, pelos seus prazos de entrega dos trabalhos que nunca falharam, ganhava e trabalhava prosperamente por conta própria. Nunca tinha falhado um prazo de entrega, nem nunca tinha feito um trabalho mau ou demorado, era muito conhecido por conseguir entregar seus trabalhos repletos do agrado e boa qualidade aos seus clientes muito antes do prazo de entrega estabelecido. Justino era um trabalhador independente muito responsável e competente, era pouco interessado em riqueza, talvez por nunca ter passado por uma má altura, nem ter precisado de juntar grandes quantias para ter uma vida acima da média. Justino era despreocupado e era frequente andar com uma carteira recheada no bolso e trabalhar só quando o dinheiro estava a escassear.

Ferreirinha era uma quarentona prestes a completar os seus 50 anos de idade e tinha acabado de chegar de Espanha, para onde tinha fugido por diversos problemas familiares graves e tinha tentado vida próspera longe da má fama e da má sorte que tinham assombrado a sua vida. Tinha deixado por Espanha 3 namorados, nos 3 anos que lá tinha vivido. Tinha conseguido um subsidio por ter trabalhado e completado os seus 50 naquele país e decidiu regressar a Portugal para trabalhar e juntar o ordenado aos 600€ que recebia mensalmente do país vizinho.

Embora Justino não conhecesse Ferreirinha, há muito tempo que Ferreirinha andava de olho nele, mesmo antes de ter ido para Espanha, já frequentava esporadicamente os locais que Justino habitualmente frequentava e se distraía,  gastando o dinheiro que ganhava nos seus abastados biscates. Ferreirinha morava sozinha e tinha os seus flirts de tempos a tempos com amigos e conhecidos que ía fazendo pelo seu percurso. Estava habituada à vida que outrora tinha em Espanha e tinha aprendido muito socialmente, não necessitando nem da ajuda de um único companheiro, para pagar as suas contas e se divertir nas suas noites livres. Era uma recente cinquentona, bastante independente e namoradora e gostava de aproveitar todos os momentos prazeirosos que a vida e as suas saídas lhe ofereciam nas noites do seu dia a dia.

Ferreirinha tinha acabado de arranjar um emprego, já tinha passado 1 ano após ter regressado de Espanha e faltavam 2 dias para ter que regressar a Espanha novamente para renovar os papéis que o seu subsídio a obrigava. Teve medo de perder o emprego por ter de se ausentar por 1 dia, pois estava lá apenas há 2 dias e resolveu não ir, por seu azar, perdendo o direito à quantia extra que recebia. Passavam 2 semanas no novo trabalho e Justino começou a frequentar um café nas traseiras, que Ferreirinha por vezes frequentava. Começaram a reparar um no outro, mas Ferreirinha era habitual sair no final da noite com amigos que fazia e não voltar a ser vista com os mesmos.

 

Justino não namorava há 1 ano, sensivelmente e aproveitou uma conversa com ela no bar, para na mesma noite estar junto com ela na cama de sua casa. Justino não se importava de a ter como sua namorada mas como a própria Ferreirinha dizia, Justino era apenas mais um flirt que tinha conseguido. Duas noites de encontros na casa de Justino e no terceiro, Ferreirinha entrou pela porta traseira das garagens, 1 hora mais tarde do que o habitual com cara de quem se tinha portado muito mal e não tinha direito aos braços de Justino. Ferreirinha estava receosa de o perder mas tinha necessidade de manter Justino como companheiro e não tardou a pedir a Justino que lhe comprasse uma garrafa de vinho por dia para a ajudar a passar o stress diário do trabalho, coisa que Justino não se importou de comprar do próprio bolso e de a perdoar e aceitar como sua companheira. Ferreirinha precisava da ajuda de Justino para pagar o vinho diário e lhe ajudar a pagar algumas das compras que precisava para o seu único dia de folga da semanal.

Ferreirinha, crescentemente, sofria de ciúmes e não tardou a receber ajuda das colegas de trabalho, para que conseguisse agarrar Justino pelos cornos, pregando-lhe pequenas traições nas suas costas, até certa vez enquanto Justino estava de costas e de repente se voltou, Ferreirinha estava a fingir ou a beijar mesmo nos lábios e a ser apalpada num dos seus seios na frente de algumas pessoas enquanto Justino a esperava a 3 metros de distância na parte de fora do bar onde se conheceram. Era nítido embuste, mas como fazia destas partidas diariamente, Justino já estava farto. Estava o caldo entornado, ora após Justino lhe ter perdoado suas traições e diariamente investir no seu vinho, estava a albergar uma espécie de puta sem escrúpulos e calculista que só o queria ver no desespero atrás dela. Foi aí que Ferreirinha através de um vale tudo conseguiu segurar Justino pelos próprios cornos de maneira a ter um corno desprovido de paz e alegria, para que este simplesmente lhe pagasse as contas. Ferreirinha era afinal de contas uma puta desprovida de valores e de boa conduta, totalmente diferente de Justino e insistente nos ciúmes que tentava causar a Justino não se importando nem dando relevância à sua paz, trabalho e futuro.

Justino caiu no falatório local à medida que esse tipo de situações foram acontecendo e foi alvo da troça de todos, até dos vizinhos do próprio prédio onde morava. Tanto que nem em casa o deixavam dormir, troçando e o acordando a toda a hora com pancadas no chão ou no teto de maneira a que não pudesse estar em casa sozinho nem dormir. Resultou em Justino, que tinha desistido dela, procura-la de novo e a perdoar e manter-se perto dela para que pudesse dormir, arrependendo-se para sempre de não a ter largado de vez após tamanhas atrocidades causadas por tal desiquilíbrio de Ferreirinha. Eram frequentes as discussões por ciúmes por parte dela, e o estado emocional e psíquico de ferreirinha veio-se deteriorando até à sua quase insanidade total, causando barulho durante a noite, até ás 3h da manhã diariamente enquanto estava bêbada. Ferreirinha não conseguia ouvir pessoas a falar por perto, nem ver uma única luz de um monitor de computador que fosse, pois acreditava que a estavam a filmar. Não compreendia como algumas pessoas sabiam tudo sobre ela e perguntava por vezes porque é que a televisão falava com ela. Justino tinha vizinhos de herásmos mesmo no apartamento ao lado e sabia que iria demorar até que ela recuperasse a sanidade e aceitasse a sua traição, compreendesse e voltasse a comportar-se como uma pessoa normal. passavam 3 meses de namoro e Ferreirinha mantinha-se totalmente insana, tendo Justino telefonado para ela durante o seu horário de trabalho e esta estar a ter relações sexuais em alto ritmo e gemidos muito altos de prazer de modo a que todas as pessoas que frequentassem aquele local não os ignorassem e todos os dias que se seguiram, tivessem dado origem ao pânico e à atenção de por quem por ali passasse. Estivesse de facto a traílo ou não, já não era o relevante, os problemas causados daí para a frente é que tiveram repercussões muito para além do inultrapassável…

 

No dia seguinte Justino resolveu visitar o local de trabalho de Ferreirinha e deparou com o pânico e interesse de muitos à porta do seu trabalho, muitos apontavam para as cabanas situadas nas traseiras do estabelecimento e diziam uns para os outros que era ali que elas o faziam. O desconforto de alguns, o interesse de todos e a oportunidade para muitos era o que se estava por ali a passar, parecia o Texas, onde discutiam e se esmurravam, onde apareciam as famílias a tentar desvendar as suas paranóias e onde os homens de má conduta frequentavam diariamente na esperança de melhor sorte ou apenas a sua vez para esvaziar a tensão dos testículos acumulada em tempos de razia. Estava o pânico lançado, Ferreirinha era a nova puta daquele local e quem tinha a fama de mandar umas baldas.

 

Não tardou, logo a seguir, a Justino se juntar com um amiga que era prostituta e fazer um telefonema enquanto ela estava a trabalhar. A prostituta estava a gemer aos berros e ela a desesperar e a falar tentando mostrar alguma preocupação em voz alta para que os presentes tomassem as suas opiniões. Não valeu de nada e só piorou, pois era agora ele o culpado de todo aquele alvoroço e Ferreirinha tinha agora toda a aparente razão para lhe piorar a situação e lhe atribuir todas as culpas de forma bastante mais credível e tinha ela toda a razão para se portar de pior maneira. Chegou até a preparar um linchamento fictício junto com o patrão para que Justino apanhasse forte e feio na frente de poucos dos presentes na sua hora de saída. O patrão quase lhe partiu o pescoço com um golpe de braços que lhe aprisionaram o pescoço sobe o efeito de grande bebedeira. Não morreu ali, porque apareceu um Fiat Punto cinza, segundo modelo e que tirou fotografias e deixou um aviso, embora tenham fugido de imediato, ao reparar que ele estava bêbedo e a perder o controlo da situação. Quando Ferreirinha apareceu junto com a patroa, Justino pôde ter toda a certeza que era uma encenação arranjada por eles e desatou à gargalhada, ainda assim, Alberto, o seu patrão desatou a provocar sua namorada, tentando provocar ciúmes a Justino, mas este responde: “Cala-te palhaço!”, mesmo na frente da mulher dele. O homem bateu mal com tal bebedeira e humilhantes palavras à frente de sua esposa e continuou ao murro no crânio de Justino, mas este não conseguia parar com a gargalhada nem sentia milagrosamente as pancadas na sua cabeça, até que Alberto o encurralou entre 2 carros e se preparou para lhe agarrar pelo pescoço de novo. Aí Justino desferiu 3 potentes golpes seguidos na boca de Alberto, deixando o sangue dele espichado no vidro lateral esquerdo do seu carro, mesmo no lugar onde Ferreirinha se sentava quando Justino a levava a casa. A situação continuou mais descontrolada ainda com Alberto a desferir golpes de direita de novo no crânio de Justino, enquanto este não conseguia conter a gargalhada até que as duas se puseram aos berros esperando que o pior pudesse acontecer e agarraram Alberto a todo o custo, que se pôs em fuga para dentro do estabelecimento. Depois de Ferreirinha se trocar, entrou no carro e foram para casa com a cara de Justino animada e mortinho por gozar com a cara de Ferreirinha. Tinha sido mais um dia no Texas…

Ferreirinha planeava internar-lo numa psiquiatria, após Justino lhe ter pedido para frequentar um psiquiatra privado na tentativa de acabar com tamanho desconcerto e alvoroço, sempre presentes no dia a dia dela.
Ela pretendia vingança e juntar o útil ao agradável e até mesmo defender-se de um possível internamento, por estar todos os dias, consecutivamente, fora de suas capacidades e do seu bom senso. Foi alugar 2 livros sobre a doença e foi falar com uma psiquiatra, não privada mas do Hospital local, ao contrário do que Justino lhe tinha proposto e avisado que os psiquiatras do Hospital são loucos e psicóticos, e descreveu todos os sintomas que tinha lido nos livros e respectivos padrões de comportamento. Tinha sido por isso que tinha sido encomendado o linchamento singular do pobre Justino, que até a altura não tinha feito mal a ninguém nem tinha intenções para tal. Sua filha tinha voltado para perto da mãe e tinha avisado Justino que ela estava a preparar-se para o internar e que até estava a ler 2 livros e depois um mais pequeno apenas com os sintomas para enganar a médica e acabar com a vida dele. Mas Justino ignorou, desconhecendo que a mentira lhe iria no futuro colocalo irreversivelmente, em muito maus lençóis…

 

Não tardou, por um acidente, em que Justino teve que dar entrada no Hospital, para nunca mais se livrar das garras dos psiquiatras até ao resto da sua vida, mesmo com sua namorada Ferreirinha, lhe pedindo desculpas e dizendo que não foi por eles serem fáceis de enganar, mas sim porque era do interesse daquele organismo ganhar mais doentes. Uma coisa foi certa, após o primeiro internamento, nunca mais se livrou deles, até porque depois de lhe terem feito muito mal e nunca terem tido intenções nem interesse em ajudalo, Justino sentiu na pele que uma pessoa que tenha passado por aquilo, nunca mais consegue voltar a ser a mesma pessoa de outrora…

 

( Continua… )

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