Ferreirinha a infiel malabarista (conto de terror, parte – II)

Logo após Justino regressar do internamento, começou a receber um tratamento diferente por parte dos vizinhos do prédio onde morava. Anteriormente a ter ido morar naquele apartamento, tinha morado um homem que diziam ter muitos problemas de foro psicológico e o estranho é que já passava de 1 ano e nunca tinha voltado para receber o correio. No 1° andar também vivia um jovem com problemas mentais e o vizinho do 2° dizia que o pai dele também não tinha o baralho todo completo. Vizinho esse que sabia a vida de tudo e todos daquela rua e era frequente ser apanhado em flagrante a escutar à porta dos vizinhos lá do prédio. O que aconteceu foi que Justino acabou por receber os maus tratos psicológicos e o assédio abusivo, contínuo e persistente, dos moradores daquele prédio. Era constante fazerem barulho e fingirem que faziam sexo, até as crianças que moravam no apartamento de cima, duma forma persistente, repetitiva e em todas as 24 horas do dia. Por vezes deixavam um teclado sequênciador em modo automático a repetir sempre o mesmo som alto, de uma bola de ténis que batia contra uma parede, enquanto tinham de se ausentar, para que tivessem a certeza que Justino não tinha conseguido dormir enquanto não estavam em casa. As pancadas ouvidas pelo chão e pelo teto eram cada vez mais fortes e repetitivas de minuto a minuto, era um género de tortura repetitiva que ia dando cabo dos nervos a Justino, que procurou ajuda na polícia local mas era encaminhado para todo o tipo de organismos e ninguém o quis ajudar. Justino alcançou o desespero e desistindo de procurar ajuda, Justino que estava acabado com Ferreirinha, decidiu voltar para ela até ter condições e dinheiro para ir morar para outro lado mais distante. Algo que nunca aconteceu porque daí para a frente, gradualmente, tudo e toda a sua vida tiveram tendência para piorar…

Um ano depois de Justino ser internado, Ferreirinha começou a queixar-se que suas colegas já tinham ido e traído os seus namorados. Aquele Texas era de tal forma descontrolado que tinha sempre por lá um homem alto dentro, para escorraçar à pancada quem se aventurasse a tentar irromper pela cozinha na tentativa de ganhar a sua vez para um momento tão ansiosamente aguardado, de puro prazer. Eram frequentes os acidentes e acidentados com motorizadas e veículos que colidiam com outros ao tentar fugir dali a correr apressadamente. Tornou-se um local repleto de gentinha e vagabundos, trabalhadores das fábricas e até pelas próprias putas daquela terrinha perto da cidade. Era um local onde o tema diário era apenas sexo e traição, paranóia e jogo psicótico, onde ninguém por lá sabia sobre o que em concreto se passava na sua totalidade. Ferreirinha era costume fazer análises ao sangue de 3 em 3 meses e foi assim por durante quase 3 anos, mesmo após ter saído de lá fazia 1 ano. Enquanto Justino, após os 3 primeiros meses de namoro nunca mais havia tido sexo com ela, embora dormissem todos os dias juntos. Era impossível Justino a largar e voltar para sua casa enquanto lá morasse, por causa da maldade e crueldade dos seus vizinhos e eram frequentes as noites que lá tinha que tentar dormir sozinho, enquanto ela dormia em paz na sua própria casa, após o ter acabado de expulsar de lá, por este se queixar do que a população em geral lhe fazia, por causa do seu comportamento duvidoso e das suas atitudes. Justino já era o bobo da corte à força fazia muitos meses, era o palhaço lá do sítio por não ter onde dormir uma única noite com silêncio e paz. Justino não tinha sossego e tinha a noção desde o início, da fama de palhaço que tinha alcançado. Por uns era palhaço por ser corno manso e continuar a namorar com a mesma, ora por outros era um porco de mente suja que não acreditava na mulher que tinha. Ora Justino sabia que ela o tinha traído já bastantes vezes, sabia que já ultrapassavam dos 100 números de telemóvel apontados na lista de Ferreirinha com os nomes das empresas, seus patrões e empregados, era frequente apontar um número de uma empresa e este pertencer a um empregado que lá trabalhava. Às vezes era de uma pessoa importante mesmo…

Tinha 3 horas de descanso laboral, mas Ferreirinha omitia isso. Era frequente sair sozinha ou acompanhada com alguém durante essas horas. Quando Justino estava em casa e o barulho e excessos de loucura à porta apertavam, obrigavam-no a deslocar-se ao trabalho e a casa de Ferreirinha. Esta nunca estava nem num lado nem no outro, e era frequente apanha-la a vir a pé pela estrada, largada por alguém de carro um pouco mais atrás e a omitir e não responder a Justino por onde havia estado quando este a confrontava em flagrante. A sua patroa rezava para que Justino a conseguisse apanhar, mas Justino só queria que aquele pesadelo acabasse e voltasse a ter alguma paz em sua casa, sem os habituais conflitos ruidosos à porta nem os problemas constantes com a sua vizinhança. Justino precisava de paz por perto, para pôr termo à terrível relação que tinha com Ferreirinha e recompor-se para que começasse tudo de novo e voltasse ao trabalho o mais rápido possível. Mas foi sempre impossível, pois os seus vizinhos sempre o torturavam e impossibilitavam-no de dormir, fazendo até turnos durante o dia e a noite, indo dormir quando precisavam para outro local que não naquele prédio.

Muitos foram os episódios macabros de sua namorada no trabalho e muitas as discussões e problemas derivados, vividos por Justino. Por fim, Ferreirinha chateou-se com os patrões e colegas de trabalho e quis mudar de emprego, pois achava que dava muito dinheiro à casa e já se encontrava cheia de dívidas para pagar naquele momento. Já sabia o suficiente para começar a sorte de novo, noutro local e ganhar o suficiente para pagar as dívidas, porque assim o merecia. E Assim o fez, largando a sua casa pois não tinha como a pagar e indo morar para casa do Justino.

Ferreirinha não deixava Justino tocar em seu telemóvel nem o atender. Nas horas em que supostamente estaria em sua pausa no anterior trabalho ou 15 minutos, pouco antes da sua saída, era frequente receber chamadas de vários números de empresas e ate sem nome no número, mas Ferreirinha culpava sempre um policia. Certa vez um ate lhe propôs sexo naquela noite e lhe pediu que em 5 minutos depois a fosse buscar enquanto Justino conseguia ouvir a sua voz no altifalante. Pouco alta e estridente, mas bastante nitida e envolta de abrupto silêncio de tanta conternação e silêncio. Justino ouvia tudo mesmo ao lado do telemóvel que estava no ouvido de sua companheira. Ferreirinha assustada com a situação só pode dizer oi… oi… e mudou de assunto dizendo que já não estava a trabalhar no local e se encontrava desempregada. Desculpou-se culpando um policia que tinha conhecido, policia esse que mesmo em empregos diferentes, quando calhava ter uma folga inesperada ou trocar de emprego, lhe continuava a fazer as mesmas propostas por muito mais tempo em diante, até Ferreirinha ter trocado de número de telefone. Ferrerinha sempre o ameaçou de novo internamento e acusava-o de ter paranóias, caso este opinasse sobre esse tipo de situações, abituando-se a fazer tudo o que queria sem ter Justino no seu encalse ou como obstáculo…

Justino nunca tinha tido uma namorada que o traísse tanto nem esperava que a altura de Ferreirinha andar a dar a pachacha a todos, fosse enquanto andasse com ele… Não tinha remédio, Justino tinha que arranjar maneira de se recompor e começar tudo de novo sem ela e decidiu acabar com aquele namoro.

Desta vez durou até 2 semanas sem dormir, por causa dos vizinhos e voltou a correr logo para Ferreirinha que estava a dormir num quarto arrendado onde morava também outro homem que também arrendava outro quarto de baixo do mesmo teto. Justino nem queria acreditar que ela não partilhava de casa com outras mulheres, mas sim com outro homem… Ferreirinha não tardou a arranjar outro emprego e desta vez num centro comercial. Logo arrendou outro apartamento, onde moraram juntos, mas 3 mêses depois, começaram a surgir de novo os problemas do costume. Desta vez Justino tinha-a visto a falar com um colega de trabalho que era careca dentro do carro e esta deixou o seu colega passar-lhe a mão pelo rosto de uma forma ternurenta, enquanto ela lhe entregava um gatinho novo que tinha nascido de uma ninhada de sua gata siamesa, Constança. Não tardou a ver artigos com imagens sugestivas no facebook desse colega por parte de sua companheira. Desta vez era paixão, constatou Justino. Poucos dias depois, após esse estabelecimento no centro comercial ter fechado portas por falência, começou a arranjar desculpas de que queria montar um  negócio com um ex colega de trabalho e falou que era com o tal careca. Justino aguardou para ver e foram duas as semanas em que sua namorada saía após o almoço, de telemóvel desligado, até chegar por volta das 9h da noite. Aquilo só podia ser uma lua de mel, concluía Justino. O careca até tinha postado no facebook que finalmente já estava a fazer umas corridas, olha a lata daquele filho da puta sem pudor. Por acaso o homem até corria nas maratonas da cidade veio ele a constatar 2 anos mais tarde, provavelmente deve-se ter arrependido de ter colocado aquele triste comentário naquela altura.

Quando Justino achou que já era demais, proibiu Ferreirinha de continuar com essas saídas de telemóvel desligado e Ferreirinha prontamente e com alguma aflição, concordou, aquela puta… Pois na manhã seguinte tinha já um encontro marcado, desta vez com o seu ex marido, também para ver um negócio e o seu telemóvel tocou de seguida, atendendo-o de imediato, interrompendo a conversa e combinado para ver o tal negocio, como se estivesse a falar com o seu ex marido, pelo menos o tom de voz usado era o mesmo de quando falava com ele ao telefone. Mas desta vez depois de desligar o telemóvel, Justino arrancou-lho da mão repentinamente e verificou quem tinha telefonado, para ver se sempre era o ex marido dela… Sem grande espanto, era o maricas do careca outra vez! Ferreirinha desculpou-se e jurou ser a última vez, pois só havia apenas mais um negócio para ver. Era lógico que não arranjaram negócio algum durante aquelas semanas nem nunca mais em diante se resolveram por algum. Ferreirinha correu de seguida para a porta de saída e disse que o careca a esperava lá em baixo e desculpou-se por ter mentido, disse apenas que ansiava muito para ter o seu próprio negócio e o careca tinha dinheiro. Desceu junto com Justino que a seguia apressadamente pelas escadas e nem queria acreditar na lata dela ao ve-la entrar para dentro do carro do filho da puta do careca que arrancou a acelerar. Desta vez Ferreirinha só regressou a casa perto da meia noite, não havendo jantar e por Justino nunca ter tido direito a umas chaves de casa em todos os lugares que moraram juntos, foi longa a espera por Ferreirinha enquanto Justino não queria acreditar no que se estava a passar. Ora deve ter sido a grande despedida daqueles dois…

Numa das tentativas de Justino arranjar trabalho, ao chegar ao local da entrevista, por coincidência, estava lá, inacreditávelmente, o careca que ao ser chamado ao longe por Justino, fugiu a correr a sete pés deixando o entrevistador que era o dono, a falar sozinho. O dono do estabelecimento que estava a fazer as entrevistas perguntou a Justino se conhecia o careca e se sabia porque tinha fugido tão repentinamente, deixando a entrevista a meio… Justino, não respondeu e continuou sendo agora ele o elemento que estava a ser entrevistado. Ainda assim Justino viu o careca novamente num outro emprego mais tarde que Ferreirinha teve, desta vez estava na porta à espera que esta saísse e por incrível que pareça, o colega da casa em que poucos meses antes sua namorada tinha alugado um quarto, surgiu também e ficou à espera da horinha de saída de Ferreirinha, com bastante nervosismo, tal como o careca. Estavam ambos bastante esgotados e enciumados. Estavam a stressar bastante, enquanto Justino a esperava estacionado numa rua transversal a apenas 6 ou 7 metros e os observava incrédulo. Poucos dias depois, no facebook do careca, mostrava fotografias da sua actual aventura pelas cidades e terras espanholas… Justino nunca mais viu o tal careca…   

Justino não conseguia estar em casa por causa da maldade dos seus vizinhos e era frequente ir para as praias mais afastadas, com pouca gente ou mesmo sem ninguém, não ficava por muito tempo, e aproveitava para descansar, dormir um pouco e refletir. De volta a casa, estava na horinha do deitar e Justino despiu-se por completo e deitou-se destapado, com o lençol apenas a tapar-lhe as pernas até perto das nádegas de rabo para o ar. Ferreirinha não o via nu fazia muito tempo e Justino estava com o traseiro completamente queimado do sol abrasador da praia onde tinha estado. Estava com uma cor bem escura no corpo inteiro e esperou Ferreirinha entrar pelo quarto… Ferreirinha entrou, Olhou para o rabo completamente escurecido e bronzeado de Justino, deu-lhe uma palmadinha no traseiro e disse sorridente: “Que belo Rabinho!”… Vestiu o pijama, deitou-se na cama ao lado de Justino e não disse mais nada…

Era agora a altura de Justino mandar umas boas quecas. Justino não mandava uma fazia mais de 2 anos e não tardou muito que arranjasse uma outra namorada que gostou muito dele e se propôs a ter com ele uma relação mais séria com ele. Fátima gostou muito da sua companhia e seguiram-se 2 semanas de muito namoro, com idas ao café, conversas com os amigos e muito boa disposição. Fátima era um pouco para o “cheinha” mas não era gorda, era de facto muito bonita e tinha longos cabelos muito lisos e loiros. Mas fazia 2 semanas que vinha engordando abruptamente, suas roupas já mal lhe serviam e ficavam cada vez mais apertadas. Ferreirinha levou-a para o seu apartamento e ao se despirem não conseguiu deixar de reparar no excesso de gordura e celulite de Fátima. Justino parou e anuiu, ficou quase como enojado, não gostou mesmo do que viu e rejeitou-a a partir desse momento. Disse que não conseguia, e iria ser muito difícil o por de pé, quanto mais mantelo de pé e ter relações. Daí em diante Justino ficou novamente sozinho, regressando mais tarde novamente para a companhia de Ferreirinha.

O jogo de ciúmes sempre continuou entre eles, Ferreirinha teve vários empregos entretanto e sempre tentou construir o mesmo jogo, ela não conseguia resistir à loucura por ela provocada às pessoas por perto e aos seus clientes, o vício era de tal forma sistemático que era bastante nítido que o fazia para obter sexo e loucura e divertimento nos periodos em que trabalhava. Enchia de ciumes e aflição o pobre do Justino, que era sistematicamente visto pelas ruas e cafés, anuindo e triste. Ferreirinha, nos momentos de loucura não era forte o suficiente para não o trair. Ferreirinha tinha vergonha de andar com Justino pois este era visto como um desempregado e era o palhaço lá do sitio já fazia muito tempo. Ferreirinha não tinha qualquer tipo de respeito por Justino, apenas o aceitava porque este lhe era útil para arranjar emprego e armar a festa e todos os consequentes fenómenos adjacentes que tornavam os locais de trabalho de Ferreirinha em autênticos estados de sítio, onde Justino não conseguia estar, muito menos entrar por 5 minutos apenas. Era sempre um local de festins e de bebedeira, onde as palavras sexo e loucura ressoavam constantemente e ecoavam por todas as paredes e todas as ruas por ali perto. Era o gozo mórbido e incompreensível dos seus clientes e para Justino era apenas mais um outro antro de tótós que só frequentavam sítios onde havia cheiro a pachacha e não tinham capacidade nem inteligência suficientes para terem noção ou saberem mesmo, o que realmente desejavam para as suas tristes vidas…

Justino nunca mais esteve junto de Ferreirinha durante um único verão, era como se ela servisse apenas para oferecer dormida enquanto Justino lhe pagava caro pelo vinho e pela comida. Mas de facto valia a pena morar com ela, por causa dos vizinhos dele. O grande problema seria nos verões seguintes…

 

( Continua… )

Deixar uma resposta

%d bloggers like this: